_ Até que enfim você apareceu, hein! A gente tava pensando que você fosse dormir fora de tanto demorar! – e me deu uma olhada cínica (tipo quando alguém fala que você só chegou a um determinado lugar porque alguém que você gosta está lá) que eu fingi não entender.
_ Oi pessoal!
– “Oi!” disseram todos menos o Dan, pois não havia olhado pra ele. E fui direto pra sacada.
_ Ashley, onde você tava, hein? – gritou Diego.
_ Tava comendo. – resmunguei. Estava fula da vida com ele. Tá, eu sei que ele queria ajudar levando Dan para todos os lugares que eu fosse pra gente se acertar, mas pô, sem me perguntar nada e no apartamento onde eu tava era demais. Não demorou muito e ele veio falar comigo sem desespero, já que eu tava isolada.
_ Qual é o seu problema, Ash?
_ O meu problema é que você quer me ajudar, mas tá fazendo tudo errado. Poxa, Diego, por que você o trouxe? A gente brigou ontem, nada vai se resolver hoje. – e ele murchou – Desculpa, mas é que é pressão demais. Todos querem que a gente se perdoe, mas isso não vai acontecer da noite pro dia, isso se a gente se perdoar.
_ Eu sei, mas foi ele quem veio, eu insisti pra ele não vir, só que ele é teimoso.
_ Eu sei. Ele tá vendo se eu vou lá falar com ele. Você sabe, essas coisas de discussão do relacionamento e tal. Mas eu não vou.
_ Putz, quando a Tina começa com esse negócio de discussão de relacionamento eu pulo fora. É um saco. Eu não sei por que vocês, mulheres, adoram esses papos.
_ Nesse caso eu não sou mulher porque eu, simplesmente, odeio esse tipo de discussão. – disse meio que rindo.
_ Ash, você me desculpa pelo Daniel? – e me olhou sério desta vez.
_ Não é você que tem que pedir desculpas. É a gente que tem que se fazer isso. Eu e ele; só que um é pior do que o outro e eu sei que nada disso vai acontecer. A gente é muito orgulhoso, Diego.
_ Então você sabe errado, porque eu vim aqui pra tentar resolver essa história. – falou uma voz que estava de fora da conversa.
Era Dan que estava brechando todo o meu papo com Diego da porta da sacada. Ele se aproximou e eu não sabia exatamente o que fazer: se rezava para Diego não arredar o pé de lá ou se gritava com Daniel por ele ter se metido num papo que não era com ele.
_ Olha, – comecei tentando ficar calma – se você acha que tudo vai voltar ao normal da noite pro dia, você tá enganado, porque você não vai me comprar com joguinhos de perdão. – e olhei séria pra ele.
Percebendo que o apartamento estava muito silencioso para um local que abrigava dez pessoas tagarelas olhei através da porta de vidro da sacada e ao perceberem meu movimento, todos voltaram a conversar tentando despistar que estavam prestando atenção mais no meu diálogo com Dan do que nos seus próprios.
_ Joguinhos de perdão? Eu não seria tão otário pra fazer um negócio desses, Ashley. Pelo amor de Deus! – protestou.
_ Daniel, como você pode ser tão ridículo? Você mandou eu ir me danar, ontem, depois de ter beijado uma menina nos fundos do quintal da sua casa e agora fica querendo desfazer toda essa confusão. Você tem problemas, é? – indaguei furiosa.
_ Sabe, eu tô começando a ver que a única pessoa que tem problemas aqui é você, Ashley! Eu tô querendo ver se a gente volta!
_ Pra quê você quer que a gente volte? Só pra dizer a todos os repórteres que você tem uma garota? Pelo amor de Deus, Daniel, deixa de ser idiota! Se você acha que vai me fazer de otária de novo, tá equivocado, bem.
Diego não agüentara o meu papo reto com Daniel e nos deixou sozinhos na sacada. “Obrigada pela sua força espiritual como amigo, Diego!” pensei vendo que minha prece não tinha sido atendida.
_ Eu não te fiz de otária, Ashley, é você que tá falando, pô. Eu tô querendo consertar as coisas e vocês tá complicando mais ainda! – e contemplou a vista da sacada.
_ Então é isso – falei com um tom brando – talvez você só me visse como mais uma complicação. – e me abracei aos meus joelhos.
_ Pára de drama, Ashley! – disse com uma voz cansada virando-se pra mim e me encarando.
_ Não tô fazendo drama, Daniel, muito pelo contrário. Você acha que eu seria tão dissimulada a ponto de dramatizar como se a minha vida fosse uma peça? Ou será que você acha que eu não tô sofrendo com isso tudo que tá acontecendo? É legal você ser “amada” por uma pessoa que não acredita que você tenha tristezas o bastante pra sofrer! – ironizei enquanto sentia que ia chorar, e ele veio se aproximando de mim.
_ Ash, por favor, me deixa falar. Você não tava lá no quintal pra ver como tudo aconteceu. Desculpa se eu mandei você ir se danar ontem... mas, pô, você só quer falar e me acusar de que eu beijei a Henderson de propósito. Me dá uma chance. – se acocorou na frente da minha cadeira se apoiando nas minhas pernas.
_ Fala. – resmunguei fitando-o.
_ Eu sei que peguei pesado, ontem, mas você também tava toda descontrolada...
_ Mas diz se eu não tenho motivos pra isso? – provoquei.
_ Que saco! Você parece criança, Ashley, ninguém pode conversar direito contigo sem se irritar ou te mandar calar a boca! – e ficou em pé com os braços cruzados e de cara amarrada.
_ Você é que não me conhece direito, Daniel, e fica falando coisas que não são verdades. Eu fui humilhada por você na última fase do concurso na frente de todo mundo, só porque você acha que sou imatura pra ter ex namorados como amigos. Então, eu acho que não dá pra gente voltar, já que eu não tenho estrutura psicológica pra manter uma relação com alguém que fica me fazendo e dizendo absurdos na frente das outras pessoas. – ele emudeceu.
Em parte, o que eu havia acabado de falar era verdade. Quando virei pra pedir uma garrafa de água para Tina, vi que o apartamento estava vazio. “Melhor assim” pensei.
_ Eu já te pedi desculpas!
_ E você acha que é só pedir desculpas que tudo volta ao normal? Daniel, eu tô me sentindo ofendida até agora.
_ Mas você disse que tava tudo bem naquele dia. – falou me fitando.
_ Falei sim – admiti –, mas foi pra não estragar o meu momento importante. Você não sabe o quanto cantar me faz bem, Daniel.
_ É claro que sei que cantar te faz bem, Ashley! É o teu maior sonho.
_ Pois é, mesmo assim você quase estragou o meu dia, caramba! – e eu me levantei da cadeira com raiva pra pegar uma garrafa de água no frigobar.
_ Aonde você vai? – indagou vindo atrás de mim.
_ Por acaso você acha que eu vou fugir?
_ Não, eu sei que você não foge dos problemas.
_ Ah, pelo menos isso você notou enquanto a gente tava junto. – falei gesticulando com a garrafa na minha mão. Estava muito difícil abri-la.
_ Ashley, é a última vez que eu vou tentar resolver essa história... – eu me esforcei de todas as maneiras para abrir a garrafa mas a tampa estava muito atarraxada – Ah, me dá logo essa garrafa pra eu abrir! – falou impaciente puxando a mesma da minha mão. Ele abriu e me devolveu. Eu fiquei olhando para a garrafa enquanto pensava no que dizer, quando subitamente me vi falando:
_ Valeu. Quer um pouco? – e ofereci água a ele, numa cena, obviamente, patética, enquanto meu cérebro trabalhava exaustivamente para entender a razão de meu ato.
É uma discussão de relacionamento e você tá oferecendo água a ele?
Você se esquece que ele foi gentil ao desatarraxar a tampinha?
Ele só está querendo chamar sua atenção para o que ele tem a dizer!
Sim, mas não custa nada oferecer, não é? A menos que você seja mal educada!
Pelo amor de Deus, deixa de ser infantil, menina! Pára de fazer rodeios!
Não sei que rodeios! Ele também deve estar com sede, tá falando tanto desde que todos saíram do apartamento!
Não vou mais discutir, acho que seus olhos vão se abrir para o jeito com o qual vem agindo, ultimamente, mais cedo ou mais tarde. Você está sendo tola.
Nem percebi que Daniel estava me olhando, sem entender o que se passava no meu interior após longos minutos, ou assim me pareceu.
_ E você acha que eu quero isso? – respondeu-me com essa pergunta de maneira muito estranha.
_ Desculpa, eu só pensei que você tivesse com sede depois de ter gasto saliva com uma imbecil chamada Ashley... – e olhei pro chão. Ele veio se aproximando e eu comecei com os meus tremeliques.
_ Eu não quero água, eu só quero te beijar mais uma vez. – e ao dizer isso a gente simplesmente se beijou. Eu queria sim, claro que eu queria, isso e muito mais. Eu gostava muito do Daniel, mas só queira dar uma de durona pra ele ver que o meu esquema é o Girl Power. No fundo, no fundo eu sabia que ele era inocente na história do beijo. E naquele momento, sentindo o corpo dele contra o meu, eu podia sentir que ele não agüentava mais aquela situação de briga. Eu também não. Não suportava brigar com ninguém, ainda mais se fosse alguém especial. Quando nos afastamos, começamos a rir.
_ Desculpas, Dan, – mas as minhas lágrimas caíram antes que eu pudesse contê-las – preferi acreditar numa mentirosa do que no cara que eu mais quero bem no mundo. Foi mal.Ele me abraçou e começou a afagar meus cabelos.
_ Ash, você também tem que me desculpar. Vamo fazer uma coisa? – e a gente se afastou enquanto ele limpava as minhas lágrimas.
_ Um bora. O que é? – e sorri vendo-o sorrir também.
_ Vamos esquecer essa história que não vai levar a gente a lugar nenhum.
_ Tá bem. Do zero outra vez! – falei vendo que era melhor daquele jeito.
_ Faz de conta que a gente ainda tá conversando como no primeiro dia que a gente se conheceu... Ei... eu queria que você fosse minha namorada... O.k.?– falou ele repetindo a cena de quando nós havíamos ficado.
_ Ah! É... eu acho que você nem me conhece direito pra gente ir logo namorando, mas em todo caso... eu vou pensar sobre isso! Porque agora o que eu preciso pensar é em como abrir a porta e não parecer assustada... – e refiz os passos exatamente como tinha feito naquele dia.
_ Mas... espera um pouco... não está faltando alguma coisa? – e me puxou pra mais perto dele.
_ Tá. É claro que tá faltando sim! – falei tirando as palavras originais pelo improviso “necessitado” naquele momento. Ele sorriu pra mim.
_ Ei! Isso não tava no texto! Mas é assim que eu gosto! – e falando isso me beijou de novo.
_ Me diz uma coisa... a gente tava ficando? – disse.
_ Não, Ash. A gente tava ficando!
Repetidamente, fui abrir a porta e quando fiz isso, não foi Tina quem entrou com o antigo ar de encarnação, e sim foi um bolo de gente que caiu aos meus pés. Carol por cima de Rodolfo, que estava por baixo de Luciana, que estava com o braço na cara de Diego, que estava sufocado pelos cabelos de Tina, a qual estava batendo na barriga de Rodolfo para ele sair de cima de Tom que estava segurando a perna de Diego pensando que fosse a de Nathália.
Olhei para Daniel prendendo o riso e ele falou:
_ Nossa, você são bons ouvintes, hein? Quando eu não me lembrar mais dessa conversa com Ash, por favor, me contem. Eu sei que vocês sabem os mínimos detalhes! E todos se levantaram ajeitando as roupas amassadas e entortadas pelo eventual montinho. Olhei para Tina e percebi que ela estava lacrimosa.
_ Ah! É tão bom quando as pessoas fazem as pazes! Que lindoo! Vocês são uns tontos! – falou ela abraçando a mim e a Dan.
_ Calma, mana! É a gente que briga e você que chora. – disse eu rindo de toda aquela situação.
Depois de toda a reconciliação, Dan foi embora junto com os meninos, Tina e Lu pediram que eu contasse como fora a conversa com Daniel após a saída de todos eles do apartamento e Carol e Nathy, quando souberam daquele papo reto entre nós dois, regressaram ao respectivo apartamento. Escrevi tudo detalhadamente em meu diário, escovei meus dentes e “morri” na cama.
Faz tanto tempo que não dou as caras por aqui... Esse foi o semestre mais punk de toda a minha vida. Mais um pouco e me acharia um caso perdido. Cem bilhões de trabalhos pra uma única e última semana. Até que enfim!!! Férias, Zeus! Espero que tenham gostado do post - fragmento de uma história que há cinco anos estou cozinhando e não consigo aprontar!
Ganhei Meu primeiro Selo!! \o/
Valeu Will! Um mês depois do presentinho cá estou postando!

Vamos lá às regras: 5 características minhas seguidas de 5 indicações...
* Sou muito impaciente;
* Completamente pavio curto;
* Ínsone;
* Viciada em coisas antigas (Morou, broto?);
* Uma jovem idosa.
Indicações:
Camila, Hellequine
Nathália Esthevlana
N. Mylonas
Crodia
Jana
Beeeeesoss!!! ;*


